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Quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Presidente Lúcio Vieira representou o sindicato no painel das entidades e sindicatos 

A ADUFRGS-Sindical defendeu a universidade pública como um direito social nesta quarta-feira, 27, no ciclo de painéis que durante esta semana comemora os 85 anos da UFRGS debatendo autonomia e financiamento sob várias perspectivas. 

O presidente da ADUFRGS, Lúcio Vieira, representou o sindicato na mesa desta tarde, com mediação do reitor Rui Vicente Oppermann, e presença de entidades sindicais e representação dos docentes, estudantes de graduação e pós e técnicos administrativos da universidade.
Universidade como direito

A ADUFRGS defende a educação superior como um direito humano universal, um bem público e um dever do Estado; e para o sindicato, a universidade está inserida neste contexto como um direito social. Para Lúcio, “defender esse bem público é essencial para o exercício da cidadania”. O presidente afirmou que um dos principais desafios deste momento “desolador pelo qual passa a educação brasileira” é unir mais atores na defesa desse conceito. “Precisamos incorporar a sociedade na defesa do serviço público”, disse. 

Lúcio traçou um panorama da educação superior brasileira que é praticamente toda ofertada por instituições privadas que têm o lucro como referência. Esse é, na opinião dele, outro obstáculo a ser vencido. Menos de 1% da população do país frequenta hoje uma universidade pública, por isso, disse, a sociedade muitas vezes acredita e até reproduz as inverdades sobre a atividade da universidade. Lúcio deu o exemplo das últimas declarações do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que disse haver nas instituições federais plantações de maconha e laboratórios de drogas sintéticas. “Não é engraçado e não podemos mais tolerar esse tipo de coisa. É possível mudar esse cenário com muita mobilização e convencimento de setores da sociedade que têm compromisso com o país. Temos que ir pra dentro do parlamento, juntar os partidos políticos e trazer o empresariado que refuta o rentismo para o nosso lado”. 

Autonomia e financiamento
Um consenso perpassou o debate das entidades: não há autonomia universitária sem financiamento. O reitor Rui Vicente Oppermman lembrou que o debate tem movimentado as entidades nacionais como Andifes e PROIFES, por exemplo, sob várias perspectivas como o repúdio ao Future-se e outros entraves a serem superados para que as universidades gozem plenamente da autonomia determinada pela Constituição de 1988. Uma parte importante da luta pela autonomia, sustentou, “é garantir às universidades o direito de escolha de seus dirigentes. Isso está em propostas que foram feitas pelo PROIFES, pela Andifes, porque se nós queremos efetivamente autonomia, temos que dar às universidades a capacidade delas próprias exercerem sua liberdade didático-científica, de gestão patrimonial, financeira e administrativa, além da indissociabilidade entre ensino, extensão e pesquisa”. 

Eleição para reitores 
As eleições para reitor na UFRGS serão em 2020. A ADUFRGS concorda que a comunidade acadêmica deve poder escolher o dirigente. Por isso, está ouvindo por consulta eletrônica os docentes associados sobre um tema que também gerou debate no painel: a proporção de docentes, estudantes e técnicos na decisão. A posição dos docentes sobre essa proporção, que será anunciada pela ADUFRGS na sexta-feira, 29, às 18h, logo após o encerramento da consulta, será levada ao Consun da universidade marcado para o dia 18 de dezembro. 

Participam da mesa Rúbia Vogt (Andes), Mariane Quadros (Assufrgs), Marco Antônio Schuck (Atens), Tirza Ferreira (DCE UFRGS), Jaqueline Silinske (APG).

Os diretores da ADUFRGS e professores da UFRGS Darci Campani (vice-presidente), Sônia Mara Ogiba (Comunicação) e Eduardo Rolim (tesoureiro) também estavam presentes.


 

Conape 2018

A Emenda à Constituição 95 (EC 95), que congela gastos sociais pelos próximos vinte anos, vai inviabilizar a Educação brasileira em todos os seus níveis, da educação básica à pós-gradução, com impactos já em 2018, afirmaram os representantes do PROIFES-Federação na mesa redonda Análise do Plano Nacional de Educação (PNE) à luz da EC 95, realizada na manhã desta sexta-feira, 25, segundo dia da Conferência Nacional de Educação Popular (CONAPE), que acontece em Belo Horizonte, capital mineira, até este sábado.