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Terça-feira, 21 de maio de 2019

ADUFRGS participou da audiência pública, que debateu o corte de verbas na educação.

Giliane Greff 

Reitores de universidades e de institutos federais, alunos e professores se reuniram, na manhã desta terça, dia 21, no Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa RS. 

A audiência pública "O impacto do corte orçamentário nas universidades e institutos federais" foi proposta pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, através do deputado Fernando Marroni(PT) e mediado pela Deputada Sofia Cavedon (PT). 

O reitor do IFRS, Julio Xandro, destacou que a criação dos Institutos Federais foi a maior revolução na educação ocorrida na América latina desde a reforma universitária de Córdoba. Ele explicou que a descentralização dos campi, levando o ensino público para o interior, é a grande marca dos IFs, que, hoje, estão presentes em 600 municípios brasileiros.  

O reitor destacou que o ensino médio do IFRS é um dos  melhores do país e, para comprovar, citou diversos prêmios conquistados por alunos da instituição, como a recente conquista da aluna Juliana Estradioto, do campus Osorio, e o prêmio de eficiência  energética  conquistado pelos alunos do campus Erechim, no início do ano. “A nossa luta não é contra um partido ou ideologia, a nossa luta é pela educação”, finalizou. 

O vice-presidente da ADUFRGS-Sindical, Lucio Vieira, parabenizou a proposta do debate e citou a Conferência de Córdoba (Argentina), realizada no ano passado, em que a educação foi declarada um direito humano e universal. “Quando todos os países latino-americanos e caribenhos levantam essa bandeira, vemos que nosso país, hoje, está na contramão dos direitos básicos.”

Ele salientou que o caminho para mudar esse o cenário atual é a educação. “Quando o governo diz que quer investir mais em educação básica, está sendo, no mínimo, contraditório, pois onde se investe na formação de professores, se não nas universidades? Não tem como ter um ensino de qualidade sem ter professores de qualidade, e isso não se consegue cortando a verba dessas instituições", criticou. 

Para Lúcio Vieira, os prêmios conquistados por alunos dos IFS só demonstram o cotidiano de ensino e pesquisa que das instituições, o que não está sendo valorizado pelo governo.  Como professor federal há 22 anos, ele destacou que há uma década decidiu abraçar a causa dos IFs. “Sinto muita honra de fazer parte da construção desse projeto, dessa história.”

A Pró-reitora de planejamento da UFCSPA, Alessandra Dahmer, explicou que as universidades já vinham sofrendo cortes no orçamento nos últimos anos e, por isso, a situação é tão preocupante. Ela citou o atendimento realizado pelos hospitais universitários, que acolhem milhares de pessoas diariamente e correm o risco de ter suas atividades prejudicadas, se os cortes não forem revertidos.   

O vice-reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Luciano Schuch, destacou a importância da educação no desenvolvimento do país.  “O maior ativo que uma nação pode ter é o conhecimento, a pesquisa, que estão presentes nas universidades públicas.”

Por sua vez, o procurador federal Enrico de Freitas, falou sobre a importância da autonomia universitária, que esta sendo atacada pelo decreto 9.794/19, que estipula que reitores, pró-reitores e cargos de gestão devem ser aprovados pela Secretaria do Governo. Atualmente, os pró-reitores e diretores são indicados pelos reitores, que são eleitos por votação do corpo docente, discente e funcionários.Enrico também salientou que tanto o decreto quanto o corte das bolsas do Capes são objetos de investigação pelo MPF. 

Também participaram da audiência pública representantes  da Unipampa, IFsul, Instituto Federal Farroupilha e instituições em defesa da educação, além de diretores e gestores de diversos campi do IFRS e alunos dos campi Rolante, Alvorada, Osório, Sapucaia do Sul, Viamão e Porto Alegre. 
 

Audiência Publica na AL

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